Na pasteurização do leite, o RIISPOA (Decreto 9.013/2017, art. 255) exige três funções no equipamento: controle automático de temperatura, registrador de temperatura e termômetro. Na pasteurização rápida, soma-se uma válvula de desvio de fluxo com acionamento automático e alarme sonoro. Para o painel, isso quer dizer um controlador PID que segure a temperatura sem o operador, um registro com data e hora que prove que ela foi mantida e uma saída que mande desviar o leite quando ela cai. Na linha West, o Pro-EC44 com registrador faz controle e registro num aparelho só, o 6100+ controla e retransmite a leitura ao registrador da planta, e o KS 98-2 entra quando o mesmo painel também cuida de sequência e lógica. As outras linhas estão no guia de controlador de temperatura industrial.
O que o RIISPOA exige na pasteurização do leite?
| Ponto do decreto | O que diz | O que pede do painel |
|---|---|---|
| Pasteurização lenta (art. 255, § 1º, I) | aquecimento indireto entre 63 °C e 65 °C por 30 minutos, com agitação mecânica lenta | controle estável no tanque encamisado, sem sair de 63 °C a 65 °C nos 30 minutos |
| Pasteurização rápida (§ 1º, II) | leite em camada laminar entre 72 °C e 75 °C por 15 a 20 segundos | controle rápido na saída do aquecimento e reação imediata quando a temperatura cai |
| Outros binômios (§ 2º) | aceitos pelo Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal com equivalência comprovada | setpoint e alarmes seguem o binômio aprovado |
| Aparelhagem (§ 3º) | controle automático de temperatura, registradores, termômetros e outros que forem considerados necessários | controlador, registro e termômetro |
| Desvio (§ 4º) | válvula de desvio de fluxo com acionamento automático e alarme sonoro | saída que comanda o desvio e a sirene |
| Resultado (§ 7º) | fosfatase alcalina negativa e peroxidase positiva | temperatura que não falta e não passa do ponto |
O decreto não diz qual instrumento usar nem de quanto em quanto tempo registrar. Diz, no art. 74, que o estabelecimento mantém programas de autocontrole com registros sistematizados e auditáveis. Quando o registro é informatizado, cabe à planta garantir a segurança, a integridade e a disponibilidade da informação (§ 2º-A). A exigência vai além do leite de consumo: o leite para queijo também precisa de pasteurização ou tratamento térmico equivalente (art. 373, § 5º), salvo o queijo maturado por pelo menos 60 dias acima de 5 °C (§ 6º; o § 7º permite mudar esse prazo).
Quem faz o quê no painel do pasteurizador?
São quatro funções que costumam se misturar na hora de cotar.
| Função | Para quê | Na linha West |
|---|---|---|
| Controle | dosa o vapor ou a água quente para segurar o setpoint | 6100+ ou Pro-EC44, com PID; o Pro-EC44 também comanda válvula motorizada de 3 pontos |
| Registro | prova que a temperatura foi mantida, com data e hora | Pro-EC44 com registrador (opção X, ou R com USB); ou a saída linear do 6100+ ligada ao registrador ou ao CLP |
| Termômetro | leitura de referência para conferir o controlador | instrumento do próprio pasteurizador |
| Desvio e alarme sonoro | tira de linha o leite que não chegou à temperatura | relé de alarme de baixa do controlador, no circuito de desvio projetado pelo fabricante do pasteurizador |
No 6100+, cada uma das 3 saídas pode ser controle, alarme ou retransmissão, conforme o cartão. O Pro-EC44 tem 7 alarmes, e cada um pode ser de alta, baixa, desvio, banda, malha ou sensor rompido, entre outros tipos. Tem também uma combinação lógica E ou OU que junta alarmes numa saída.
Dois cuidados da documentação do Pro-EC44 no desvio:
- os alarmes de alta, baixa, desvio e banda podem ter uma duração mínima antes de atuar. Segundo o datasheet, uma queda mais curta que esse tempo não aciona o alarme. No alarme do desvio, esse atraso tem de caber no que o projeto do pasteurizador aceita;
- com termopar ou PT100 rompido, os alarmes de processo agem como se a temperatura tivesse subido, e não caído. A saída de controle vai ao valor do parâmetro "Saída de potência predefinida para quebra do sensor" (Sensor Break Pre-Set Power, no manual em inglês), e o display mostra OPEN. Um alarme de baixa sozinho, portanto, não pega o sensor rompido: junte, pela lógica OU, o alarme de baixa e o de sensor rompido na saída do desvio. Para processo crítico, o manual indica a entrada redundante, que passa para um sensor reserva.
No 6100+ e nos outros da série Plus, confira no manual como cada alarme reage ao sensor rompido antes de ligar o desvio a ele.
Para o desvio agir também em falha. No Pro-EC44 e no 6100+, a saída de alarme pode ser de ação reversa: o relé desliga no alarme e também quando o controlador perde a alimentação. Isso só desvia se o circuito do pasteurizador desvia com o relé desligado: confira no diagrama dele. No alarme do desvio, deixe desligada a inibição na partida (Alarm Inhibit), que segura o alarme quando o aparelho liga com a temperatura já baixa. Na partida, sem leite, simule a queda e o sensor rompido e confirme o desvio e a sirene.
Risco elétrico: a ligação da válvula de desvio e da sirene é feita com o painel desligado, por pessoa treinada e autorizada. O relé do controlador tem 2 A em carga resistiva, segundo o fabricante; para bobina ou sirene de corrente maior, ou na dúvida, use relé auxiliar. Quando o relé chaveia tensão de rede, o manual pede que a carga tenha alimentação separada da do controlador, com seccionamento e fusível próprios, e recomenda varistor em paralelo com a bobina.
Como registrar a temperatura?
No Pro-EC44 com registrador. A memória é de 1 Mb, não volátil, e o relógio tem bateria própria, com erro menor que 1 segundo por dia. O intervalo vai de 1 segundo a 30 minutos. Por malha, grava a temperatura, o setpoint, a potência e o mínimo ou máximo desde a amostra anterior. Grave o mínimo: uma queda entre duas amostras aparece no registro. O estado dos 7 alarmes também é gravado, e uma mudança de alarme entre amostras entra no arquivo. Na versão R, os registros saem em pen drive, em arquivos .csv. Na versão X, sem USB, saem pelo software de PC, pela porta de configuração ou pela comunicação. Configurar o registrador pausa a gravação: faça fora da produção.
No 6100+. Ele não grava. A saída linear, de 4 a 20 mA por exemplo, retransmite a temperatura ao registrador, ao CLP ou ao supervisório, e a RS485 com Modbus é opcional. É o caminho quando a planta já tem onde guardar os dados.
Copiar os arquivos, guardar e proteger contra alteração é rotina do autocontrole da planta, não do controlador.
Por que a cascata evita que o leite passe do ponto?
No exemplo de pasteurização do white paper da West, a água que aquece o leite chega rápido à temperatura, e o leite esquenta devagar. Com uma malha só, a água continua subindo até o leite chegar ao setpoint e, como ficou mais quente, o leite passa do ponto. Na cascata, a malha principal mede o leite e define o setpoint da água; a secundária mede a água e dosa o aquecimento dela. Segundo a West, a malha da água deve responder, de preferência, pelo menos cinco vezes mais rápido que a do leite, e a sintonia começa por ela, com setpoint fixo.
O Pro-EC44 com duas malhas faz a cascata num aparelho só. No manual em português, a pré-sintonia da cascata começa com Cascade-Open e termina com Cascade-Closed. Os detalhes estão em controle em cascata.
E na cervejaria industrial?
A cerveja fica fora do RIISPOA, que trata de produtos de origem animal, mas o controle é parecido. No pasteurizador de túnel, as embalagens passam por zonas de água em temperaturas diferentes, e cada zona é uma malha. No pasteurizador flash, a cerveja passa por um trocador de placas antes do envase, com tubo de retenção e, em geral, desvio. Com muitas zonas e sequência, cabe o KS 98-2, que gerencia até 30 malhas num aparelho de 96 x 96 mm. Com zonas independentes, cabe um 6100+ por zona. O programa do KS 98-2 é montado em blocos de função e faz parte do projeto de automação.
Resumo
| Se o pasteurizador pede | West indicado |
|---|---|
| controle e registro num aparelho só | Pro-EC44 com registrador (X), ou com registrador e USB (R) |
| cascata entre a água quente e o leite | Pro-EC44 com duas malhas |
| controle simples, com o registro em outro lugar | 6100+ com saída linear de retransmissão |
| válvula de vapor motorizada de 3 pontos | Pro-EC44 |
| muitas zonas, sequência e lógica | KS 98-2 |
Em sala com lavagem frequente, o frontal do 6100+ é IP66 e NEMA 4X quando bem instalado; o do Pro-EC44 é IP66, ou IP65 com USB. A limpeza que o datasheet do Pro-EC44 indica é água morna com sabão, secando em seguida, com a tampa do USB fechada.
O que mandar para cotar certo?
- o tipo de pasteurização (lenta em tanque, rápida em trocador de placas) e o produto;
- quantas malhas: só o leite, ou o leite e a água quente em cascata;
- como aquece: válvula de vapor com sinal de 4 a 20 mA, válvula motorizada de 3 pontos ou resistência;
- o sensor: PT100 a 3 fios, termopar ou transmissor;
- onde fica o registro: no próprio controlador, com ou sem USB, ou num registrador ou CLP que já existe;
- as saídas de alarme: desvio, sirene e a tensão das bobinas;
- RS485 Modbus ou Ethernet para o supervisório, o recorte do painel e a tensão de alimentação.
Com esses dados, a equipe da Comander, distribuidor oficial West, confere o código antes da cotação. Os controladores West têm garantia de 3 anos. O envio sai em até 24 h para produtos em estoque; nos demais, o prazo é confirmado na cotação. Para conferir uma leitura de PT100 no painel, use a tabela de PT100.
Mande os dados da lista acima, ou a foto da etiqueta do controlador do pasteurizador, pelo WhatsApp ou pelo formulário desta página.
- PDFManual resumido do Pro-EC44 (português, 2020)no site west-cs.com.br
- PDFDatasheet do Pro-EC44 (inglês)no site west-cs.com
- PDFDatasheet do P6100+ (português)no site west-cs.com.br
- PDFDatasheet do KS 98-2 (inglês)no site west-cs.com
- PDFWhite paper da West sobre controle em cascata, com exemplo de laticínio (inglês)no site west-cs.com

