Termopar ou PT100: qual sensor usar em cada processo
Termopar ou PT100? O PT100 é o sensor da precisão: na classe B, a tolerância é de ±0,8 °C a 100 °C, e ele trabalha de -200 a 850 °C, conforme a construção. O termopar vai mais alto e custa menos: pela ASTM, o K é recomendado até 1.260 °C. Em troca, é menos preciso: o J e o K de classe 2 têm tolerância de ±2,5 °C até 333 °C. Regra prática: PT100 onde cada grau pesa na qualidade; termopar no forno e acima da faixa do PT100. O West 6100+ e outros controladores West de entrada universal leem os dois.
Qual a diferença entre termopar e PT100?
O termopar é a junção de dois metais diferentes, que gera alguns milivolts quando a ponta esquenta: a 100 °C, cerca de 4,1 mV no K e 5,3 mV no J, pelas tabelas do NIST (referência a 0 °C). A tensão depende da diferença de temperatura entre a ponta e os bornes, e o controlador compensa a temperatura dos bornes. É a compensação de junta fria; no 6100+, segundo a West, o erro dela fica abaixo de 1 °C em operação.
O PT100 é um resistor de platina: 100 Ω a 0 °C e 138,5 Ω a 100 °C, cerca de 0,385 Ω por grau. O controlador mede a resistência, e a do cabo entra na conta.
| Termopar (J e K) | PT100 | |
|---|---|---|
| O que mede | tensão de milivolts na junção de dois metais | resistência de um fio de platina |
| Faixa do sensor | J: 0 a 760 °C; K: -250 a 1.260 °C (ASTM); outros tipos chegam a 2.315 °C | -200 a 850 °C, conforme a construção |
| Tolerância do sensor novo | classe 2: ±2,5 °C até 333 °C | classe B: ±0,8 °C a 100 °C; classe A: ±0,35 °C |
| Com o tempo | a oxidação em temperatura alta muda a leitura | muito exato e estável na faixa de uso, segundo a West |
| Cabo até o controlador | de extensão ou de compensação, do mesmo tipo do termopar | de cobre, 3 fios iguais |
| Custo do sensor | menor | mais alto, porque usa platina |
Qual é mais preciso: termopar ou PT100?
O PT100. Estas são as tolerâncias que a West publica para os sensores dela, pelas normas IEC, calculadas em cada temperatura:
| Temperatura | PT100 classe A | PT100 classe B | Termopar J ou K, classe 2 |
|---|---|---|---|
| 100 °C | ±0,35 °C | ±0,8 °C | ±2,5 °C |
| 300 °C | ±0,75 °C | ±1,8 °C | ±2,5 °C |
| 600 °C | ±1,35 °C | ±3,3 °C | ±4,5 °C |
A classe A vale de -200 a 650 °C, só a 3 ou 4 fios; a B vai até 850 °C. E o termopar muda com o uso em temperatura alta: segundo o NIST, o J que passa muito tempo no ar acima de 500 °C perde tensão e passa a ler menos; o K, acima de cerca de 750 °C, ganha tensão e lê mais. Termopar quente pede conferência periódica contra uma referência.
Qual responde mais rápido?
Depende mais do diâmetro e do meio do que do tipo. Tempo para chegar a 90% da variação (t0,9) nos sensores West com isolação mineral (termopar de junção isolada):
| Bainha | Meio | Termopar | PT100 |
|---|---|---|---|
| 3 mm | água a 0,2 m/s | 2,9 s | 6 s |
| 3 mm | ar a 2 m/s | 80 s | 81 s |
| 6 mm | água a 0,2 m/s | 9,6 s | 15 s |
| 6 mm | ar a 2 m/s | 200 s | 170 s |
Na água, o termopar chega antes; no ar, os dois ficam parecidos. Nessa linha, o termopar tem bainha a partir de 1 mm (t0,9 de 0,5 s na água), e o PT100, a partir de 3 mm. A posição também pesa: segundo o manual da West, o sensor vai no ponto mais agitado do líquido ou onde o ar circula mais. Longe do tanque aquecido, a leitura atrasa e o controle piora.
Quando usar termopar e quando usar PT100?
| Situação na fábrica | Sensor | Por quê |
|---|---|---|
| Forno de tratamento térmico ou de cerâmica, acima de 850 °C | termopar (K, N, S ou outro, conforme a temperatura) | passa da faixa do PT100 |
| Banho, câmara ou estufa em que 1 °C pesa na qualidade | PT100 classe A ou B, a 3 fios | tolerância de décimos de grau e leitura estável |
| Medição abaixo de 0 °C | PT100 ou termopar K | o J não é recomendado abaixo de 0 °C |
| Ponta fina ou resposta rápida em líquido | termopar fino com isolação mineral | bainha a partir de 1 mm |
| Sensor longe do painel | PT100 a 3 fios iguais, termopar com o cabo de extensão certo ou transmissor de cabeçote de 4 a 20 mA | a 2 fios, o PT100 só vai com menos de 3 m de cabo |
| Reposição | o mesmo tipo que está instalado | J, K e PT100 não se misturam |
O transmissor de cabeçote converte o sinal do sensor em 4 a 20 mA. O 6100+ lê esse sinal e pode alimentar o transmissor com o cartão de fonte de 24 Vcc. Sensor e controle de cada tipo de forno estão em controlador de temperatura para forno industrial.
Termopar tipo J ou K: qual escolher?
O J é de ferro e constantã, uma liga de cobre e níquel; o K, de níquel-cromo e níquel. Faixas e cuidados pela ASTM, citada pelo NIST (o limite de cima vale para o fio mais grosso, de 3,25 mm, em tubo de proteção; com fio mais fino, ele é menor):
| Termopar J | Termopar K | |
|---|---|---|
| Metais | ferro e constantã | níquel-cromo e níquel |
| Faixa recomendada (ASTM) | 0 a 760 °C | -250 a 1.260 °C |
| Atmosfera | vácuo, oxidante, redutora ou inerte | oxidante ou inerte |
| Evitar | abaixo de 0 °C (o ferro enferruja e fica quebradiço); acima de 760 °C; enxofre sem proteção acima de 500 °C | em temperatura alta sem tubo de proteção: enxofre, atmosfera redutora ou alternada; vácuo prolongado em temperatura alta; pouco oxigênio entre 800 e 1.050 °C ("green rot", corrosão que derruba a leitura) |
| Tensão a 100 °C (NIST) | cerca de 5,3 mV | cerca de 4,1 mV |
| Tolerância, classe 2 | ±2,5 °C até 333 °C; 0,75% de 333 a 750 °C | ±2,5 °C até 333 °C; 0,75% de 333 a 1.200 °C |
| Cabo pela norma IEC | capa preta; positivo preto, negativo branco | capa verde; positivo verde, negativo branco |
| Cabo pela norma americana | capa preta; positivo branco, negativo vermelho | capa amarela; positivo amarelo, negativo vermelho |
| Fio atraído por ímã | o positivo (ferro) | o negativo |
Ler um como se fosse o outro dá erro grande, porque o J gera mais milivolts por grau. Um K a 200 °C, lido com o controlador em J, aparece na casa dos 150 °C, e o controlador aquece além do ponto; o J lido como K mostra mais que a realidade, e a máquina trabalha fria. Termopar, cabo e menu têm de ser do mesmo tipo. O L (norma alemã DIN 43710), também de ferro e constantã, tem código próprio na série Plus, mas a West não o recomenda em instalação nova.
O que muda no cabo do termopar e do PT100?
Termopar, segundo os manuais da West:
- cabo de extensão ou de compensação do mesmo tipo em todo o caminho, de preferência sem emendas e com a polaridade conferida pela cor: cabo errado dá leitura errada;
- cabo longe dos cabos de força, em eletroduto separado; se o termopar ou a malha do cabo blindado forem aterrados, só em um ponto.
PT100:
- 3 fios de cobre iguais: o controlador desconta o cabo (na série Plus, até 50 Ω por fio, equilibrados);
- 2 fios: o cabo soma na leitura, e a variação dele com a temperatura não se compensa; o manual da série Plus só admite com menos de 3 m de cabo, com um jumper no lugar do terceiro fio;
- 4 fios: na série Plus, liga como 3 fios, com o quarto sem ligar, cortado curto ou preso longe dos bornes.
Exemplo com dados da West: o PT100 de baioneta da linha dela para máquina de plástico tem 2 fios, 3 m de cabo e cerca de 0,44 Ω por metro no laço. São 1,3 Ω, que o controlador lê como cerca de 3,4 °C a mais, se ninguém compensar: é esse erro que a regra dos 3 m do manual procura evitar.
A ligação envolve tensão perigosa: painel desenergizado, eletricista habilitado e o esquema do manual da West. Os bornes de cada modelo estão em como ligar um controlador de temperatura.
Como configurar o sensor no controlador West?
Na série Plus, a entrada é universal e sem jumper: o sensor é o parâmetro inPt (Faixa/Tipo de Entrada), no Modo de Configuração, e vem de fábrica em termopar J. Códigos do manual resumido em português:
| Código inPt | Sensor | Faixa no 6100+ |
|---|---|---|
| JC | termopar J | -200 a 1.200 °C |
| j.C | termopar J, com décimo de grau | -128,8 a 537,7 °C |
| KC | termopar K | -240 a 1.373 °C |
| k.C | termopar K, com décimo de grau | -128,8 a 537,7 °C |
| PtC | PT100 | -199 a 800 °C |
| Pt.C | PT100, com décimo de grau | -128,8 a 537,7 °C |
A faixa do menu é o que o controlador lê, não o que o sensor aguenta: o 6100+ lê o J até 1.200 °C, mas a ASTM recomenda o J até 760 °C. O passo a passo está na página do manual do West 6100+ em português.
Controladores West que leem termopar e PT100, segundo o fabricante:
| Modelo | Formato | Termopares | PT100 | Exatidão de medição |
|---|---|---|---|---|
| 6100+ | 1/16 DIN, 48 x 48 mm | J, K, C, R, S, T, B, L, N e PtRh20%/PtRh40% | 3 fios, até 50 Ω por fio | 0,1% da faixa (0,25% no PtRh20%/PtRh40%) ±1 dígito |
| N2300 | 1/32 DIN | J, K, R, S, T, B e N | 3 fios | 0,1% da faixa (0,25% em J e T) ±1 dígito |
| MAXVU | 1/16 DIN e 1/8 DIN | J, K, C, R, S, T, B, L e N | 3 fios | 0,25% da faixa ±1 dígito |
Saídas, formatos e aplicações: guia do controlador de temperatura industrial.
O que mandar para cotar o controlador do sensor?
- o sensor instalado: termopar (de que tipo) ou PT100 (de 2, 3 ou 4 fios);
- a temperatura de trabalho e a distância do sensor ao painel;
- o que a saída aciona: contator, relé de estado sólido (SSR) ou válvula;
- o recorte no painel e a alimentação;
- se o valor vai ao CLP, pela RS485 ou por retransmissão.
Com isso, a equipe da Comander confere o código e a aplicação antes da cotação.
Perguntas frequentes
Posso trocar o termopar por PT100 sem trocar o controlador?
Na série Plus, no N2300 e no MAXVU, sim: a entrada aceita os dois. Mudam a configuração e a ligação, porque o PT100 usa três bornes e o termopar, dois. Faça com o painel desenergizado e pelo esquema do manual.
O controlador e o termômetro de referência mostram temperaturas diferentes. Quem está errado?
Pode ser o conjunto: segundo a West, a fábrica calibra só o controlador, e sensor, posição e cabo somam erro. Confira o tipo configurado, o cabo e a posição. Depois, corrija na calibração da entrada, dentro da faixa de trabalho, em um ponto (no 6100+, o parâmetro OFFS, que a West pede para usar com cuidado) ou em dois, como no MAXVU.
O display mostra OPEn. É o sensor?
No 6100+, OPEn indica quebra no sensor de entrada ou na fiação. Segundo a West, a quebra do termopar ou do PT100 é detectada em até 2 segundos, e as saídas de controle vão a 0%. Confira sensor, cabo e bornes antes de trocar o controlador.
Resumo
| Pergunta | Resposta curta |
|---|---|
| Qual é mais preciso? | o PT100: ±0,8 °C a 100 °C na classe B, contra ±2,5 °C do termopar de classe 2 |
| Qual vai mais alto? | o termopar: o K até 1.260 °C pela ASTM; o PT100, até 850 °C |
| Qual custa menos? | o termopar |
| J ou K? | J de 0 a 760 °C; K de -250 a 1.260 °C, em atmosfera oxidante ou inerte |
| PT100 a 2 ou a 3 fios? | 3 fios; 2 fios só com menos de 3 m de cabo |
| O controlador West lê os dois? | sim, na série Plus, no N2300 e no MAXVU, escolhidos na configuração |
Vai trocar o sensor ou escolher o controlador de uma máquina nova? Mande o sensor instalado, a temperatura de trabalho e a foto da etiqueta pelo WhatsApp ou pelo formulário desta página.
Qual é a sua situação?
Escolha uma opção: a conversa no WhatsApp já começa com o assunto certo.
